Emoção e pedidos por justiça marcam cerimônia em homenagem às 272 vítimas da Vale em Brumadinho

Por Paulo Henvrique Lobato
Jornal Hoje em dia 

Familiares e amigos das vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019, cobraram celeridade da Justiça no julgamento dos responsáveis pelo crime que matou 272 pessoas (11 continuam desaparecidas) e devastou uma área equivalente a 300 campos de futebol na cidade da Grande BH. Na terça-feira (21), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou 16 pessoas por homicídio doloso e crime ambiental, entre elas Fábio Schvartsman, ex-presidente da Vale.

O pedido de justiça dos parentes, a dois dias do aniversário de um ano do tsunami de lama, ocorreu num evento na Assembleia Legislativa, na tarde desta quinta-feira (23), onde foi instalado um monumento em homenagem à memória dos 272 mortos.

O presidente da Casa, Agostinho Patrus (PV), sugeriu que em todo 25 de janeiro as bandeiras de Minas fiquem na altura de meio mastro, nos órgãos púbicos, numa clara demonstração de luto em homenagem às vítimas e familiares.

“O dia 25 de janeiro está e estará sempre em nossas memórias como uma das mais tristes e dolorosas páginas da historia de Minas. A Assembleia, juntamente com as famílias, buscará justiça pelas 272 mortes”, disse o deputado.

A cerimônia levou muita gente às lágrimas, como Amanda Moreira. Ela perdeu o marido na tragédia: “Sou viúva de Cleidson Moreira, que trabalhou na Vale dos 23 aos 40 anos de idade. A gente não tem mais paz. Perdi muitos amigos”.

Em homenagem à memória de cada uma das vítimas, a Assembleia sugeriu que as obras de infraestrutura que a Vale poderá fazer em beneficio do Estado, como indenização pelo rompimento da barragem, recebam os nomes dos mortos pelo tsunami de lama.

O governo de Minas defende que este aporte por parte da mineradora chegue a R$ 7 bilhões.


O desastre em andamento

Por Jornal Folha de São Paulo
OPINIÃO
MARINA OLIVEIRA E EDMUNDO ANTONIO DIAS

Agora já não há mais o barulho incessante dos helicópteros, nem as centenas de voluntários que caminhavam pelas ruas de Brumadinho. As pessoas atingidas pelo desastre, como a primeira autora deste artigo, vivem, um ano depois, uma rotina cotidiana de violações de direitos.

A Vale ainda não se deu conta da necessidade de reconhecer o protagonismo dos atingidos no processo de reparação, desrespeitando o princípio da centralidade do sofrimento da vítima. No período em que exerceu sensível e pioneira jurisdição na Corte Interamericana de Direitos Humanos, o juiz brasileiro Antônio Augusto Cançado Trindade enfatizou a posição central da vítima e “a inevitabilidade do sofrimento diante da crueldade humana.” Os recentes desastres ocorridos no país evocam essa assertiva.

No Brasil, o projeto de lei 2.788/2019, que institui a Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens —já aprovado pela Câmara dos Deputados e que agora tramita no Senado— dá a devida ênfase a esse princípio, essencial para que a reparação seja construída a partir da perspectiva da vítima (que é, afinal de contas, titular dos direitos violados). É quem sofreu a dor das mais variadas perdas, quem teve interrompidos seus projetos de vida, que pode dizer quais são as soluções aceitáveis para a reparação integral.

Parcela da população acredita que a Vale esteja cumprindo todas as suas obrigações. Não é para menos. A empresa gasta milhões de reais em propaganda. Dói. Dói viver no território e presenciar —como a primeira autora deste artigo— as violações de direitos das comunidades atingidas e, ao mesmo tempo, observar a realidade de ilusão criada pela mineradora. Quando eu, Marina, vejo os anúncios da Vale sobre a minha cidade, penso que, se a Vale está dizendo a verdade, a minha vida é uma mentira completa.

O desastre persiste. Onze famílias ainda esperam encontrar os corpos de seus familiares para vivenciar seus lutos. Centenas de agricultores não tiveram qualquer suporte até hoje. Alguns estão com suas hortas debaixo da lama. Outros não podem irrigar suas plantações com a água do rio Paraopeba ou de poços artesianos. Há aqueles que também não conseguem mais vender suas hortaliças, que não encontram mercado consumidor. Eu, Marina, e outros atingidos, vivemos na incerteza de uma contaminação que pode estar ocorrendo a conta-gotas.

Parte de Brumadinho hoje é abastecida por caminhões-pipa. O consumo de ansiolíticos e antidepressivos aumenta a cada dia. Há comunidades quilombolas atingidas, como a de Pontinha, no município de Paraopeba, que ainda não foram reconhecidas nem recebem o pagamento mensal emergencial que vem sendo efetivado para garantir os meios de subsistência para outros atingidos.

O que o trem, que chega sempre vazio e sai cheio de minério de ferro, deixa de benefícios reais para Brumadinho? Os trilhos que ele percorre remetem a relações históricas de colonialidade do estado de Minas Gerais com o setor minerário.

São 272 vidas (duas das quais sequer chegaram a nascer) que não puderam sobreviver a algo aparentemente tão impalpável como as metas de produção da Vale, mas a memória dessas joias reafirma, como há quase 50 anos alertou Carlos Drummond de Andrade em seu “Canto Mineral”, que é preciso virar a página das “minas esgotadas / a suor e ais”.

Marina Oliveira
Moradora de Brumadinho (MG) vítima da tragédia e articuladora social da Arquidiocese de Belo Horizonte para as comunidades atingidas
Edmundo Antonio Dias
Procurador da República em Belo Horizonte e membro da força-tarefa Brumadinho, do Ministério Público Federal


Estudo confirma impactos da mineração no país

Via Agência Brasil
Publicado em 22/12/2014 – 18:19
Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Durante os últimos três anos, pesquisadores do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação estudaram 105 territórios em 22 estados brasileiros que sofreram impactos da mineração e confirmaram  que a extração de minerais é uma atividade “extremamente impactante nas regiões onde está instalada. Ela gera um conjunto de consequências ambientais e socioeconômicas”, diz o pesquisador do Cetem Francisco Rego Chaves Fernandes.

A pesquisa resultou no livro Recursos Minerais e Comunidade: Impactos Humanos, Socioambientais e Econômicos, que pode ser baixado na internet para consulta na página do Cetem. Francisco Fernandes  relatou que as consequências são verificáveis em termos de queixas das populações, danos à flora, à fauna e à água e poeira no ar.

Doutor em engenharia mineral, Fernandes explica que uma das questões ambientais  mais complicadas nos  territórios de mineração diz respeito à água, pois “o reuso dela ainda é um sonho e as práticas de sustentabilidade estão muito atrasadas”. Ele lembrou que o Brasil depende hoje de um modelo exportador que gera riqueza e reservas importantes para o país, mas, ao mesmo tempo, os territórios acabam sendo fragmentados com isso. “Há um conflito muito grande porque o país tem muitas áreas sensíveis, como as indígenas, as de populações tradicionais, como os quilombolas, e as de preservação ambiental, o que resulta em muitas queixas”.

Fernandes destacou o papel importante desempenhado pelo Ministério Público Federal (MPF), que tem exigido que as mineradoras se comportem o mais possível dentro de boas práticas sustentáveis. “Mas esse é um caminho muito longo. A impressão que dá é que somos muito permissivos com isso”. Segundo ele, em muitos países, além de uma licença ambiental, exige-se que a atividade mineradora negocie previamente uma licença social com a população do território onde pretende se instalar.

Há no Brasil, conforme Fernandes, “uma licença ambiental pouco fiscalizada e bastante frouxa e nenhuma licença social, e a mineração parece ter predominância sobre tudo e sobre todos”. O resultado apresenta, de um lado, montanhas de dólares e de outro, cidades inchadas como Carajás, no Pará, principal empreendimento minerador brasileiro, que em dez anos viu a sua população crescer 300%. Em contrapartida, os serviços de infraestrutura, entre os quais se destaca o saneamento básico, são precários, afirma o pesquisador.

Um abuso  detectado em territórios indígenas são os garimpeiros que entram para pegar ouro e diamantes e os assoreamentos provocados nos rios por materiais para uso imediato da construção civil. A produção é de baixíssimo teor de ouro, porque 1 tonelada de terra tem apenas 1 grama de ouro. “Isso é feito com água, com produtos químicos”, segundo Fernandes.

De acordo com o estudo, estão em funcionamento no país 3 mil minas e 9 mil mineradoras, além de uma centena de garimpos legais e clandestinos. O setor mineral emprega cerca de 200 mil trabalhadores e responde por 4% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. Os investimentos programados pelo setor somam US$ 75 bilhões entre 2012 e 2016.

Pelo estudo, os estados com maiores problemas são Minas Gerais e Pará, “que são os maiores produtores de substâncias minerais metálicas, como ouro, zinco, chumbo, minério de ferro e bauxita, que é o minério do alumínio, cujos problemas são mais complicados”.

Fernandes acredita que o estudo poderá servir de subsídio ao Congresso Nacional para a votação do marco mineral brasileiro: “É importante quando se mostram os impactos socioeconômicos da mineração”. O livro levanta questões como empobrecimento, aumento da prostituição e, em alguns casos, trabalho infantil em regiões como Marabá, no Pará, onde crianças e jovens na faixa de 12 a 14 anos são colocados para trabalhar  com carvão vegetal para produção de ferro-gusa. Sem falar nos impactos ambientais, com destaque para poluição da água, assoreamento dos rios, desmatamento, erosão, mudança da paisagem do solo e danos à flora e à fauna.

Segundo o pesquisador, o estudo pode subsidiar também o MP, associações e movimentos sociais que tratam dessas questões, e caminhar  para casos de sucesso, que seriam acordos  entre mineradoras e comunidades afetadas para que a atividade fosse sustentável ou controlável.

Nesse sentido, ele destacou o acordo firmado entre a empresa Alcoa e a população ribeirinha do município paraense de Juruti, após intenso conflito. A mineradora investiu US$ 1 bilhão no empreendimento e a  contrapartida para os moradores somou US$ 40 milhões, sob a forma de escolas, hospital e ações de empreendedorismo, que criaram  uma economia local que gera renda e emprego na própria região.

Procurado para comentar o estudo, o  Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), representante das empresas e instituições que atuam no setor, está em recesso de hoje (22) até o dia 4 de janeiro próximo.

 


Mariana vira 1º crime ambiental apontado como violação de direitos humanos

Marcelo Oliveira
Do UOL, em São Paulo
16/12/2019 18h59 Atualizada em 16/12/2019 21h58

O rompimento da barragem do Fundão, operada pela mineradora Samarco em Mariana (MG), se tornou na última semana o primeiro crime ambiental brasileiro classificado como violação de direitos humanos por parte do CNDH (Conselho Nacional de Direitos Humanos).

Além de pressionar a Justiça, a resolução pode basear representações contra o Brasil em tribunais internacionais, que podem resultar até em sanções diplomáticas ou econômicas. No Tribunal Penal Internacional de Haia (Holanda), graves violações de direitos humanos equivalem a “crime contra a humanidade”.

Em setembro de 2019, a Justiça Federal rejeitou a denúncia do Ministério Público Federal. Se a decisão não for revertida, ninguém responderá pelas mortes causadas em Mariana.

19 mortes

Para o CNDH, em decisão da última quarta (11), as 19 mortes ocasionadas pelo “crime ambiental e os demais crimes ocorridos e decorrentes do rompimento da barragem” em novembro de 2015 é uma “violação de direitos humanos de excepcional gravidade”.

Além das mortes, o vazamento de Mariana contaminou o Rio Doce e o Oceano Atlântico e desalojou centenas de famílias. O CNDH entendeu que o “deslocamento compulsório e danos físicos humanos, causados por desastre decorrente ou provocado por atividades de empresas, representam graves violações de direitos humanos”.

Denúncia rejeitada

O juiz federal Jacques de Queiroz Ferreira rejeitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra seis executivos da Vale e dois da BHP Billiton — empresas que tinham participação na Samarco.

A denúncia oferecida em outubro de 2016 reconhecia as mortes como homicídio doloso e apontava a responsabilidade de 21 pessoas ligadas à Samarco Mineração S.A. pelas mortes, lesões corporais e pelos crimes ambientais de inundação e desabamento.

Foi por conta da decisão que Scalabrin levou o caso ao CNDH, que aprovou a resolução que trata do caso, por unanimidade, no último dia 11 de dezembro.

Segundo o CNDH, compete à Justiça brasileira analisar as consequências jurídicas do reconhecimento.

O CNDH decidiu também enviar a resolução à Justiça Federal de Ponte Nova, ao TRF1 e ao STJ, nos quais tramitam os processos e recursos relacionados ao homicídio de 19 pessoas ocasionados pelo crime ambiental e os demais crimes ocorridos e decorrentes do rompimento da barragem de Fundão.

Procurada, a Samarco disse que não irá se pronunciar.


Ainda sem água, moradores de Congonhas vivem via-crúcis atrás de caminhões-pipa

Enquanto poço artesiano não é construído após rejeitos de mineradora contaminarem manancial, moradores relatam desinformação sobre chegada de caminhões-pipa e galões de água

Por Matheus Muratori
Estado de Minas
postado em 27/12/2019 06:00 / atualizado em 27/12/2019 08:06

 

Moradores do Bairro Pires, em Congonhas, Região Central de Minas, que tiveram o abastecimento de água afetado após a extravasão de rejeitos de minério da Barragem do Josino, na última sexta-feira, que contaminaram uma das nascentes da região, seguem sua via-crúcis. Ontem, reunião entre prefeitura municipal, Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), representantes da empresa Ferro+Mineração e demais órgãos competentes definiu medidas para atenuar o problema, sendo a principal delas a abertura de um poço artesiano. A questão é que o poço deve ser construído somente após 10 dias.

Como a captação de água foi cortada e, por precaução, a prefeitura orienta não ingerir qualquer líquido das torneiras, a comunidade de cerca de dois mil habitantes está sendo abastecida via caminhões-pipa e galões de água, mas os moradores relatam problemas. “No Natal, tive que correr atrás de caminhão, porque eles não param. Meio que você tem que solicitar. Escutei e corri atrás, dei sorte de poder encher minha caixa d’água. Fica somente nessa parte de vistoria, mas nada oficial ainda, nem uma data”, relatou o auxiliar de topografia Luís Monteiro, de 22 anos, ressaltando que a água está  sendo distribuída sem uma ordem definida.

Ouvida pela reportagem na última segunda-feira, a dona de casa Diana Monteiro, de 46, confirmou que aconteceu o que ela temia: passou o Natal sem água limpa na torneira. “Tem uma água que vem e ainda está só o barro. Eles cortaram a água, mas em algumas casas ainda chega. Não está vindo minério vermelho, está vindo preto. Estamos preocupados, pois temos criança pequena em casa. Já faz uns bons dias que está assim, e a tendência é seguir”, contou.

Estudante de um curso técnico em mineração, Michael Douglas, de 22, reclamou da espécie de “aula prática” que teve sobre como não proceder diante dos imprevistos do setor. Ele também passou o Natal sem água limpa, já que foi abastecido por um caminhão-pipa somente ontem. “Acabei de ser atendido por um caminhão, mas tive que ir atrás dele. O pessoal só vem e abastece, e não falam até quando vai durar ou quando a água vai voltar. Está atrapalhando todo mundo. Pessoal está na apreensão, e não podemos ficar assim”.
A prefeitura informou que a água emergencial do poço artesiano não será cobrada, já que será de responsabilidade da Ferro Mi- neração. A compensação deve perdurar por três anos e completamente custeada pela empresa. A ideia é que, depois disso, a nascente já esteja limpa. Em nota, a Ferro Mineração informa que o dique do Josino “não tem correlação com o abastecimento de água do Bairro do Pires em Congonhas, na Região Central. Conforme a empresa, órgãos competentes (ANM, Feam, Defesa Civil, Ministério Público, Polícia Militar de Meio Ambiente e Prefeitura de Congonhas) fiscalizaram o dique, responsável por captação de água pluvial e contenção de sedimentos, e confirmaram a integridade da estrutura, que está operante e intacta, sem registro de rompimento”.

A nota diz ainda que a comunidade do Pires é abastecida por nascentes a céu aberto, sendo prejudicadas continuamente pelas chuvas que atingem a região. “A empresa, historicamente parceira da comunidade do Pires, buscou soluções imediatas para suprir a falta de água das casas, oferecendo caminhões-pipa e melhorias nos canais de condução das águas”.


Polícia Federal de Minas deve concluir investigação sobre Brumadinho a partir de junho

CAROLINA LINHARES
Folhapress

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) – Após quase um ano do rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG), a Polícia Federal de Minas Gerais estima que a partir de junho deve finalizar as investigações para indiciar funcionários da mineradora e da empresa alemã Tüv Süd por crime de homicídio e por crimes ambientais.

O rompimento, em 25 de janeiro do ano passado, deixou 270 mortos -11 ainda não foram encontrados.

Segundo o delegado Luiz Augusto Pessoa, que conduz o inquérito, falta a conclusão de um laudo de engenharia para determinar a causa da liquefação dos rejeitos da barragem, que gerou o seu rompimento. O resultado é esperado para junho.

A partir disso, o delegado espera saber se é possível responsabilizar os funcionários da Vale e da Tüv Süd por homicídio doloso (quando há intenção de matar), culposo (quando não há intenção) ou ainda com dolo eventual (quando o agente assume o risco de matar).

A investigação não descarta responsabilizar os executivos da Vale e da Tüv Süd, inclusive o presidente afastado da mineradora, Fabio Schvartsman.

“É um trabalho muito complexo. Prefiro fazer um trabalho bem feito, seguro e que não gere questionamentos”, afirmou o delegado ao responder sobre a pressão da sociedade para que a Vale seja punida.

A perícia é feita com a ajuda da Universidade de Barcelona e com a Universidade do Porto.

Além de homicídio, a investigação mira crime ambiental de poluição (de um a cinco anos de prisão), inclusive de lençol freático, e de destruição de sítios arqueológicos (de um a três anos de prisão).


Quais são os impactos ambientais da Mineração?

Por: Mundo Educação

A atividade mineradora consiste na extração de riquezas minerais dos solos e das formações rochosas que compõem a estrutura terrestre. Trata-se, assim, de uma das mais importantes atividades econômicas tanto no Brasil como em todo o mundo, com destaque para o petróleo e o carvão mineral. No entanto, é preciso ressaltar que essa prática costuma gerar sérios danos ao meio ambiente.

Os impactos ambientais da mineração são diversos e apresentam-se em diversas escalas: desde problemas locais específicos até alterações biológicas, geomorfológicas, hídricas e atmosféricas de grandes proporções. Portanto, conhecer esses problemas causados e a minimização de seus efeitos é de grande necessidade para garantir a preservação dos ambientes naturais.

Entre as principais alterações nas paisagens e os impactos gerados pela mineração, podemos destacar:

  • Remoção da vegetação em todas as áreas de extração;
  • Poluição dos recursos hídricos (superficiais e subterrâneos) pelos produtos químicos utilizados na extração de minérios;
  • Contaminação dos solos por elementos tóxicos;
  • Proliferação de processos erosivos, sobretudo em minas antigas ou desativadas que não foram reparadas pelas empresas mineradoras;
  • Sedimentação e poluição de rios pelo descarte indevido do material produzido não aproveitado (rochas, minerais e equipamentos danificados);
  • Poluição do ar a partir da queima ao ar livre de mercúrio (muito utilizado na extração de vários tipos de minérios);
  • Mortandade de peixes em áreas de rios poluídos pelos elementos químicos oriundos de minas;
  • Evasão forçada de animais silvestres previamente existentes na área de extração mineral;
  • Poluição sonora gerada em ambientes e cidades localizados no entorno das instalações, embora a legislação vigente limite a extração mineral em áreas urbanas atualmente;
  • Contaminação de águas superficiais (doce e salgada) pelo vazamento direto dos minerais extraídos ou seus componentes, tais como o petróleo.

Diversos estudos ambientais indicam que muitos dos materiais gerados pela mineração são rejeitos, estes muitas vezes erroneamente descartados. Na produção de ouro, por exemplo, 99,9% de todo material produzido não é aproveitado, sendo muitas vezes depositado de forma deliberada no leito de rios ou em áreas onde as águas das chuvas escoam para a sedimentação de cursos d’água. Na extração de cobre, por sua vez, menos de 1% do que é extraído costuma ser devidamente aproveitado, ao passo que o restante é lixo.

A contaminação por compostos químicos, com destaque para o mercúrio, também é um dos principais danos ambientais provocados pela mineração. Esses compostos são utilizados para a separação de misturas, retirada dos minerais e catalização de reações. Após o processo, costumam ser descartados, o que ocorre muitas vezes de maneira indevida, principalmente em localidades de limitada fiscalização, ou até em minas ilegais, que, além de tudo isso, costumam empregar trabalho análogo ao escravo ou infantil. Essa realidade, infelizmente, é muito comum em países como o Brasil e em territórios dependentes economicamente, a exemplo de muitas nações do continente africano.

Diante dessas considerações, é importante mencionar que a atividade mineradora é, de toda forma, de vital importância para as sociedades. Mas isso não significa, no entanto, que ela deva ser realizada de maneira não planejada e sem a devida fiscalização de suas instalações. É preciso, pois, promover medidas para o correto direcionamento do material descartado e a contenção da poluição gerada pelos elementos químicos. Além disso, torna-se necessário pensar na utilização sustentável dos recursos minerais a fim de garantir a sua existência para as gerações futuras.


Sobre os Recursos Minerais do Brasil

Por: Mundo Educação

O Brasil é um imenso território com uma formação rochosa antiga. Graças a isso, possui grande quantidade de minerais. Destaque para minerais metálicos, como o ferro, o manganês e a bauxita (minério de alumínio). Esses minerais são a base da indústria mineradora brasileira, principalmente o minério de ferro. Em menor escala, porém não menos importante, tem-se também o ouro, o cobre e o nióbio.

Para se ter uma ideia da importância da indústria mineral para o país,  em 2011 ela apresentou saldo positivo de US$ 34 bilhões na balança comercial brasileira, representando 18% de todos os produtos exportados.

Ferro: O Brasil está entre os 5 maiores produtores de minério de ferro do mundo. Ele é extraído, principalmente, nos Estados de Minas Gerais, Pará e Mato Grosso do Sul. Em Minas Gerais, o ferro é explorado no Quadrilátero Ferrífero (região centro-sul do Estado), enquanto que no Pará é explorado na Serra dos Carajás, localizada no sudeste do Estado. Segundo o Ministério de Minas e Energia do Brasil, o minério de ferro representa 93% das exportações do setor de mineração do país. Sua maior utilidade é a de ser matéria-prima para produção do aço.

Manganês: Semelhante ao minério de ferro, o manganês serve de matéria-prima para a produção do aço. Ele é o responsável em dar liga aos componentes do aço. A maior parte do manganês extraído destina-se a essa finalidade. No Brasil, ele é concentrado principalmente na porção norte do território, sobretudo no estado do Amapá. Mas também é encontrado no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, e na Serra dos Carajás, no Pará.

Bauxita: Outro mineral importante para o país é a bauxita, matéria-prima do alumínio. O Brasil detém a terceira maior reserva do mundo. Suas jazidas são encontradas, principalmente, nos estados de Minas Gerais e no Pará. O processo de transformação desse mineral em alumínio é muito caro e oneroso ao meio ambiente. Por isso, é tão importante a reciclagem de latinhas de alumínio.

Apesar de o Brasil possuir tantos recursos e riquezas minerais, o processo de transformação e produção desses recursos fica nas mãos de grandes empresas multinacionais estrangeiras. Consequentemente, grande parte dos lucros não permanece no país, não beneficiando assim sua população.


Janeiro Marrom é um alerta sobre os impactos da mineração

Por Brasil de Fato
Da Redação
Belo Horizonte,
9 de Janeiro de 2020 às 13:39

“Levaram primeiro o ouro e não fizemos nada; depois, as pedras preciosas, e também não fizemos nada. Agora levam nosso minério e, de quebra, nosso passado e nossa identidade. Olhem bem as montanhas. Elas são Minas. Elas são nossa ancestralidade. Estavam aqui muito antes de nós. Não deveria haver dinheiro que comprasse o que faz parte da alma de um povo. Não deveria. E nenhum povo deveria aceitar vender sua alma”. Com essas palavras da escritora Elisa Santana, foi lançada, neste mês, a campanha Janeiro Marrom, para alertar sobre a mineração e lembrar um ano do crime da Vale em Brumadinho.

A iniciativa, que converge diversas entidades ambientalistas e movimentos populares, pretende inserir no calendário anual de campanhas – como o Outubro Rosa – a luta por justiça para os atingidos e em defesa das comunidades, biomas, nascentes e rios ameaçados pela atividade minerária.

Por meio das redes sociais, o Janeiro Marrom é uma articulação que divulgará materiais que reúnem dados, informações e reflexões sobre os impactos e violações de direitos, assim como a atuação dos órgãos competentes. Internautas podem colocar a campanha em sua foto no Facebook, procurando por “Janeiro Marrom” dentre os temas para fotos de perfil.Para Maria Teresa Corujo, do Movimento pelas Serras e Águas de Minas (MovSAM), a campanha é importante para a sociedade, pois existem riscos de novos rompimentos. “Não se vê por parte das autoridades uma ação eficaz para a prevenção. Temos regiões como Itabira e o Alto Rio das Velhas, Paracatu e alguns territórios em Minas que têm barragens com uma quantidade enorme de pessoas no entorno”.

A ambientalista lembra das cidades de Itabira, que tem cerca de 10 mil pessoas na Zona de Autossalvamento das 17 barragens de rejeito da Vale, e no Alto Rio das Velhas, mais de 50 barragens de rejeitos. “Se romperem, descem pelo Rio das Velhas e inviabilizam o abastecimento de água de mais de dois milhões de pessoas”, explica.

A campanha também irá divulgar eventos, como a 1ª Romaria Arquidiocesana pela Ecologia Integral a Brumadinho. Entre os dias 20 e 25 de janeiro, movimentos populares e moradores atingidos realizarão diversas atividades para marcar um ano do rompimento da barragem em Córrego do Feijão. Para saber mais sobre a campanha, acesse janeiromarrom.com.br.

Edição: Elis Almeida