Comerciantes e trabalhadores da cadeia da pesca debatem impactos socioeconômicos vividos desde o rompimento da barragem em 2019

Nos dias 5 e 6 de julho, comerciantes e fornecedores das barracas do Shopping da Minhoca participaram de rodas de conversas para identificar as características das cadeias produtivas locais antes do rompimento da barragem da Vale e quais as dificuldades enfrentadas por eles desde o ocorrido. O local fica às margens da rodovia 040 em Caetanópolis e é voltado à venda de insumos e acessórios de pesca. As reuniões foram organizadas pela Gerência de Desenvolvimento Territorial e Agroecologia, junto com a equipe do Escritório de Paraopeba da ATI Nacab, e fazem parte do Mutirão de Estudos sobre Recursos e Atividades Econômicas da Região 3.  

Desenvolvidas com diversas categorias econômicas, o objetivo das rodas de conversa é levantar os danos econômicos sofridos após o desastre-crime que atingiu a bacia do rio Paraopeba, assim como pensar formas de recuperação e retomada do desenvolvimento local. A metodologia aplicada nos encontros é chamada de “entra e sai” e no Shopping da Minhoca consistiu em perguntar às pessoas atingidas do local: o que era vendido ou produzido ali; de onde vêm o que vendem; o que é necessário para produzir os itens de venda; e para onde ou para quem vão os produtos comercializados (clientes). Na sequência, os participantes ajudaram a construir uma linha do tempo, passando pelas épocas de melhores rendimentos do Shopping da Minhoca até o momento do rompimento da barragem. Por fim, foi possível projetar cenários futuros e tirar dúvidas sobre os próximos passos da reparação. 

Para a analista de campo do Nacab, Yolanda Maulaz, que ajudou a conduzir as rodas de conversa no Shopping da Minhoca, o saldo foi muito positivo. “O pessoal participou de forma efetiva, com presença relevante nas reuniões, compartilhando suas expectativas de futuro, conversando, fazendo análises, contando histórias e contribuindo para estabelecer o contexto da área”, descreveu. 

Buscando soluções 

Ao final deste estudo, o Nacab vai produzir um diagnóstico que irá contribuir para a construção da matriz de danos e subsidiar a elaboração de propostas de projetos de desenvolvimento territorial (previstos nos Anexos 1.1 e 1.3 do acordo judicial vigente), na perspectiva de um Plano de Desenvolvimento Econômico para a Bacia do Paraopeba. 

O Coordenador de Campo do Nacab em Paraopeba, Pedro Dias, destacou que a construção de um mapeamento da cadeia da pesca será um passo importante na busca pela reparação. “A partir deste diagnóstico será possível entender a dimensão dos danos em cada grupo produtivo e gerar laudos técnicos que contribuirão para a matriz de danos, que é um instrumento de registro e valoração dos danos, para a busca da indenização individual”, concluiu Pedro.

>> Saiba mais sobre o Mutirão de Estudos sobre Recursos e Atividades Econômicas da Região 3 em: 

Nacab inicia mutirão de estudos sobre atividades econômicas na região 3 da bacia do Paraopeba — Nacab 

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