As comunidades de São Sebastião do Bom Sucesso e da Cabeceira do Turco reuniram-se no dia 12 de fevereiro, na Associação de Moradores de São Sebastião do Bom Sucesso (ASCOB) para discutir as propostas de ações coletivas elaboradas pela Comissão de Atingidos do Sapo, Beco, Cabeceira do Turco e Turco (CA-SBCTT).

A reunião foi conduzida pelo Coordenador Jurídico da ATI 39, o Dr. Leonardo Rezende, que apresentou um documento com propostas para a construção da Pauta Coletiva e apresentou-o ponto a ponto, e cada um dos atingidos presentes recebeu uma cópia para acompanhar e estudar em casa, com calma. Foi explicado que o documento era uma proposta, não algo engessado, e que sugestões eram não apenas bem-vindas, como também incentivadas.

A comunidade levantou dúvidas e posições acerca das negociações já realizadas com a empresa, e sobre pessoas das comunidades que já haviam sido realocadas, questionando o processo e a metodologia utilizada pelos responsáveis pelo empreendimento na valoração e indenização dos moradores.

Indagado sobre tais assuntos, o Dr. Leonardo afirmou que “o projeto da comissão é construir um processo coletivo, buscando uma melhoria de vida para a maioria. Melhorar de vida é difícil, não é apenas uma questão de dinheiro, mas de qualidade de vida daqui para frente”.

Alguns atingidos relataram insatisfação com as propostas de negociação apresentadas pela Anglo American até então. Nas palavras de uma atingida “é criada uma ilusão de que lá (Bougainville, o bairro onde algumas famílias estão sendo reassentadas) é melhor, com uma casa boa, bonita…”, “mas aí começa a chegar conta de água, de luz, e ninguém dá conta de pagar”, complementou outra.

“O problema é que tudo da Anglo tem um valor alto, o que temos não vale nada. Uma casa daquelas é 300, 400 mil, então meu sítio vale quanto? A pessoa recebe 120 mil, vai comprar casa onde? Aí aceita, e vamos todos para o Bougainville”.
Atingida da comunidade do Sapo

O Programa de Reativação Econômica foi outro ponto discutido calorosamente pelos atingidos presentes, que apresentaram ideias de projetos que envolviam temas como pecuária e energia solar, todos visando o reestabelecimento laboral da comunidade a longo prazo, em oposição aos cursos já ofertados pela empresa, que focavam em atividades voltadas à prestação de serviços e comércio.

Um dos membros da Comissão de Atingidos foi preciso em sua fala, ao afirmar que

“nosso primeiro foco precisa ser saber o que queremos, nos preparar para descobrir o que a comunidade quer (…) precisamos olhar para frente, ser persistentes. Se só ganharmos dinheiro e não termos o que fazer, o dinheiro acaba. Não é para pensar no dinheiro que teremos, mas no trabalho que teremos, no que faremos. Precisamos pensar nas nossas famílias”.

O Plano de Pauta Coletiva está sendo discutido em todas as comunidades ao longo dessa semana, e hoje, dia 13 de fevereiro, a comunidade do Beco se reunirá para conhecer e discutir as propostas e expor sua visão sobre o plano.