ATI em campo

NACAB mapeia áreas de inundação e danos consequentes do rompimento da barragem da Vale na Região 3

Fotos: Equipe ATI R3 Nacab

O desastre-crime cometido pela mineradora Vale em Brumadinho gerou uma sequência de riscos e danos às pessoas e comunidades no percurso do rio Paraopeba. Em uma ação que reúne diferentes gerências, a Assessoria Técnica Independente da Região 3 (ATI R3) NACAB iniciou as atividades em campo para mapeamento de áreas de inundação e danos nos imóveis atingidos na comunidade de Taquaras, em Esmeraldas/MG.

A atividade foi iniciada na segunda-feira (28/09), envolvendo técnicos das gerências Socioambiental, de Participação e Engajamento, de Desenvolvimento Territorial e Agroecologia, além dos setores Jurídico e de Coordenação de Campo da ATI R3 NACAB, que se dividiram em três equipes. As primeiras visitas deste grupo aconteceram na comunidade de Taquaras, no município de Esmeraldas, entre segunda e quarta-feira desta semana. 

Uma equipe está voltada para identificar os impactos da enchente do início deste ano. “O objetivo é fazer um mapeamento para compreender como se deu o espalhamento do rejeito na região e aferir os pontos de coleta de solos possivelmente contaminados após as enchentes do rio”, destaca o geógrafo e especialista da Gerência Socioambiental, Lucas Grossi. 

Já a arquiteta Maria Cecília Alves, especialista da Gerência de Participação e Engajamento, integra uma das equipes que faz identificação de abalos estruturais e explica a metodologia: “Enquanto uma equipe faz a avaliação das casas, identificando os danos, suas causas e conversando com os atingidos, as outras fazem o percurso da comunidade, conhecendo as ruas, a largura das vias, as rotas das máquinas que passam por essas vias, para que a gente possa fazer uma avaliação geral e, na sequência, um relatório técnico sobre os danos”. 

 

Impactos cotidianos

Nas conversas com as pessoas atingidas em Taquaras fica evidente o impacto que a presença da empresa mineradora gera em suas vidas e nos territórios. Um relato frequente é sobre o fluxo intenso de veículos e máquinas pesadas que, sob o pretexto de dar manutenção nas vias públicas, tem comprometido as estruturas de alguns imóveis da comunidade.

“A minha casa e da minha família foi drasticamente afetada com imensas trincas, rachaduras e também abatimento do solo. Já perdi parte da cozinha, incluindo nosso fogão a lenha  que remetia felicidade de ver a família reunida e um banheiro de um dos quartos”, conta Patrícia Passarela, moradora há 26 anos da comunidade de Taquaras. “Estou receosa com o período das chuvas, pois meu terreno é  declinado e a casa pode vir a cair”, acrescenta.

Além dos danos estruturais, pessoas atingidas também passaram a conviver com o medo e a ansiedade, já que a reparação não vem acontecendo de forma que atenda às suas necessidades. “Só  o NACAB e o Ministério Público, que estiveram aqui no território, conseguirão compreender um pouco dessa angústia que sentimos a cada segundo, após esse crime cometido pela Vale. Estão vistoriando as casas e fazendo a marcação de todo o território, nos fazendo ter esperanças de sermos ouvidos e compreendidos pelo Juiz”, relata Patrícia, que teve o seu auxílio emergencial, e de toda a sua família, negados pela mineradora. “Sentimento de desamparo e até mesmo inferioridade, diante dessa gigante com poder de burlar até mesmo a justiça. Peço socorro por mim e por todos os meus amigos que passam por essa mesma situação”, finaliza.

Outra moradora de Taquaras que também teve seu imóvel prejudicado pela movimentação das máquinas da Vale, destaca a importância da assessoria prestada: “A visita do pessoal do Nacab na nossa residência não foi simplesmente para tirar fotos. Foi um trabalho minucioso, de grande entendimento de profissionais do ramo. Vieram na minha casa totalmente equipados, usando máscaras, crachás e documentados. Foram rigorosos na medição de todo o terreno, das rachaduras, portas e janelas, tudo. Levantaram informações conosco e tiraram nossas dúvidas. Estou encantada com a dedicação deles”, descreve Ângela Brini.

Continuidade

Essa primeira fase de identificação de danos estruturais e mapeamento de áreas alagadas realizados pela equipe do NACAB segue até esta quarta-feira (30/09) em Taquaras e, conforme as demandas recebidas pela ATI, se estenderá para outras localidades da Região 3. Acompanhe o site do NACAB e as redes sociais para saber mais informações sobre as atividades em campo.

Importante: os técnicos da ATI R3 seguem, rigorosamente, as orientações do Protocolo de Segurança para prevenção da Covid 19, e estão usando o crachá com a marca do NACAB.

Dúvidas e sugestões, fale com a ATI R3 NACAB, pelo número: (31) 9596-9065.

Texto: Márcio Martins / Assessoria de Comunicação ATI R3 – NACAB.