Ilustração: Fabiano Azevedo

Passados mais de dois anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, a água do Rio Paraopeba segue contaminada e imprópria para uso. De acordo com o relatório mais recente do IGAM – Instituto Mineiro das Águas (órgão do Estado de Minas Gerais), publicado em março de 2021, as águas do Paraopeba ainda têm alumínio, ferro, manganês e chumbo em valores acima do que é permitido.

O rompimento cortou relações das comunidades com o Paraopeba, causando enormes danos ambientais, econômicos, sociais e culturais. Atividades econômicas como, por exemplo, o turismo, foram interrompidas. Já não se pesca no rio, não mais se usa sua água para irrigação ou para matar a sede do gado.

Além do rio Paraopeba, as pessoas estão impedidas de utilizar poços, nascentes e açudes pela insegurança em relação à qualidade da água. Muitas famílias passaram a depender de fornecimento de água pela Vale. Desde maio de 2020, o Nacab já acolheu 940 demandas de pessoas atingidas relacionadas à água na Região 3. Elas pedem o fornecimento de água engarrafada ou por caminhão pipa, caixa d’água, análise de água e perfuração de poços.

Isso quer dizer que muitas pessoas ainda têm negado seu direito de acesso à água em qualidade e quantidade suficientes. Direito este reconhecido pela ONU como direito humano fundamental.

Assim, este 22 de março, Dia Mundial da Água, não é uma data para ser comemorada, mas sim para lembrar e manter acesa a chama da luta em defesa meio ambiente e da água como direito das pessoas atingidas. Água para todas e todos!